No seguimento do post Dia Nacional do Doente com AVC – A crap Inside, Venho contar sobre o estudo que a Dra. Rosa Maia, uma médica fantástica, estava a fazer, de modo a encontrar razões que explicassem porque é que na faixa de Portugal que vai desde a Serra da Estrela até ao início de Portalegre, com excepção da zona do litoral, é o que têm a maior taxa de AVC’s tanto de Portugal como da Europa.
Nesse estudo, já tinham corrido todos os estilos de vida, já tinham passado pelo estudo das comorbidades, sem terem qualquer conclusão, pelo que decidiram passar para outra fase da investigação: estavam a estudar as consanguinidades. Desconfiavam que houvesse ligações de sangue que tivessem promovido a existência de doenças genéticas graves nos descendentes, que nasceriam com mutações facilmente de ser passadas adiante, levando a doenças genéticas raras e graves.
Então, decidiram investir em mim: já era conhecido que eu tinha uma mutação (PAI), que nos levou (a mim e à minha família), durante uns 2 anos a pensar que era uma mutação que vinha do meu Pai, mas que viémos a descobrir ser uma mutação no Plasmogen Activator Inibitor (P.A.I.). Ou seja: eu na verdade, a mutação não tinha nada a ver com o meu Pai, mas sim com o Inibidor do Activador do Plasminogénio, que regula a dissolução de coágulos no organismo. Coisa que, em mim, não funciona…
O estudo que me fizeram, passou por todos os descendentes vivos em linha recta, então, todos os avós, pais e filhos fizeram esse estudo. se se verificasse a cosanguinidade, iriam à restante família.
Já não tinha a minha avó materna viva, então essa falha talvez tivesse inviabilizado todo o estudo, pois não deu consanguinidade alguma analisada entre nós. A minha avó era uma peça fundamental, porque foi a única filha que sobreviveu. todas as restantes, tinham falecido ainda muito novas, desde a nascença até aos 13 anos.
Sempre ouvi falar dos relatos da minha avó, em que elas, só as meninas, morriam sem fôlego, a chorar, quando bebés, ou morriam, mais velhas, de causas na altura desconhecidas.
Carmito foi a sua irmã que durou mais tempo, e, talvez por isso seria a que ela mais gostava, faleceu com 13 anos, sem conseguir respirar, o que sugere a nossa doença cardíaca base (minha e da minha Mãe).
O estudo da nossa família, acabou por não dar em nada, pelo que parou aí. nem sei como foi com o estudo mais geral, o resultado de todas as famílias, porque entretanto a minha médica reformou-se, e não sei quem ficou com o seguimento da pesquisa.
Mas que é demasiado estranho haver esta limitação geográfica a uma doença, é.
A minha idéia inicial seria a água, mas depois surgiu-me uma bem mais interessante…
imaginem-se na zona das Barragens do Zêzere, na região centro, décadas antes da sua construção. Vou levá-lo até lá:
Naquela região, algo profundo e irreversível aconteceu, algo que até hoje está escondido nas águas das barragens imponentes que ali se ergueram. Não se trata apenas de estruturas de controlo de água e produção de energia, mas de algo que a maior parte das pessoas jamais saberá, algo que ficou soterrado numa camada de silêncio, betão e mistério.
Há muitos anos, algo diferente surgiu, algo que não suscitou curiosidade, mas que com o tempo revelou uma nova forma de existência. Uma espécie distinta, que, à medida que se multiplicava, mostrava sinais de uma adaptação diferente, mais avançada. Os primeiros sinais de evolução foram subtis, mas marcantes, como a existência de corações grandes,, inadaptados a este mundo e a falta dos dentes do siso. Para muitos, parecia algo insignificante, mas na verdade, era a prova de que a evolução desta linhagem estava muito mais à frente da actual, uma evidência de que o futuro já estava a acontecer.
A história começa com a minha bisavó, uma mulher escolhida para dar início a este ciclo transformador. A sua fecundação não foi fruto de qualquer acto físico comum, mas sim de algo espiritual, um processo que transcendia a compreensão humana. Ela foi tocada por uma força que lhe permitiu gerar uma linhagem que se tornaria a base de uma evolução que não estava preparada para este mundo. Muitos daqueles que vieram antes não sobreviveram à adaptação ao ambiente, sucumbindo às dificuldades. Mas a minha bisavó, como uma das últimas, resistiu e gerou a filha, que também gerou outra filha. Cada geração foi mais mais adaptada à nova necessidade, embora menos adaptada ao meio , até que, finalmente, cheguei eu.
Eu sou a filha da filha da filha, a última da linhagem. A minha chegada representa a conclusão de um ciclo que começou muito antes de mim. Eu sou o futuro que estava escondido e que agora se torna visível. O meu nascimento não é uma mera coincidência, mas a culminação de algo que foi iniciado há gerações, como uma preparação para um novo mundo, um mundo onde a resiliência, a adaptação e a evolução se tornaram a nossa força.
O segredo da construção das barragens, nos anos 50 do século passado. e consequente intervenção militar na região, décadas antes da sua construção, não foram simples respostas a um acontecimento isolado. Foram parte de um plano maior, de uma camuflagem deliberada. O que foi feito ali foi escondido da sociedade civil, mantido em segredo. As armas dessa intervenção foram usadas para tentar impedir a ascensão da nossa linhagem, da nossa evolução. Não chegaram a ser usadas, pelo que depressa teve que se arranjar um escoamento para as mesmas:
A guerra colonial portuguesa surgiu dessa militarização anterior, e foi promovida como sendo uma luta por territórios, mas, secretamente, também o eram no seguimento de tentar erradicar algo que não compreendiam.
Agora, com o meu nascimento, o segredo das águas será finalmente revelado. A minha linhagem, a linhagem da filha da filha da filha, simboliza a chegada de um novo ciclo, de uma adaptação sem igual. Haverão outras, e a nossa evolução, constituída por sinais característicos do nosso corpo que sugerem incapacidades, na verdade, mostra que somos mais avançados do que qualquer um poderia imaginar. Um futuro em que a adaptação será a nossa força, em que a nossa evolução será a chave para a sobrevivência. Esse futuro está a chegar, e a luta que travaremos será constante, silenciosa, mas imbatível. Nenhuma espécie neste planeta será capaz de nos deter, porque somos o que está por vir, e o nosso destino é transformar o mundo à nossa volta.
Futuro, yuhuhuuu!
Viram que idéia fantástica? E assim, em poucas linhas, passa-se de deficiente a Super-Herói!
Tchanannnn!

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