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Leia Enganei-me. E estou cansada de fingir que não o fiz. – A crap Inside em vez deste post. Menciona os erros falaciosos que escrevi neste artigo.
Ser-se deficiente isola-nos da normalidade. É claro que não somos todos iguais!
Há uma coisa que me parece que muitos não entendem, é que o mote da igualdade deve ser entendido como tal a jusante da situação. depois de montados e artilhados os mecanismos que igualem o deficiente a uma pessoa dita “normal”.
Por exemplo, as pessoas que usam cadeiras de rodas (uso este exemplo para ilustrar o que já está bem implementado em Portugal). Hoje em dia, com as adaptações nos carros, os lugares para deficientes, o rebaixamento dos transportes públicos, a diminuição dos horários de trabalho, com os diversos serviços / espaços públicos acessíveis e com a evolução do RGEU (Regime Geral das Edificações Urbanas), estas pessoas já têm direito a viver e usufruir de espaços e habitações legais que abarquem este género de equipamentos (as cadeiras de rodas). Num mundo ideal, com pessoas empáticas e passeios largos por exemplo (estou a pensar em Coimbra, onde há tanta falta de empatia como de passeios, quanto mais largos!), estas pessoas conseguem fazer tudo. É claro que não passam para pessoas normais instantaneamente, mas são equiparadas a normais, mediante estes apoios. são pessoas que usufruem de justiça social com os seus direitos consagrados enquanto cidadão.
Sem estes apoios, uma pessoa de cadeira de rodas não conseguia sequer entrar numa casa de banho de uma junta de freguesia do interior. E quem diz casa de banho, diz mesa de voto, banco, serviço público, praia, local de trabalho, e por aí em diante.
É por isso que a igualdade acontece no final da situação. Nós somos diferentes, somos deficientes, mas a igualdade acontece quando todos os mecanismos estão montados para que a situação seja equiparável à situação de uma pessoa dita “normal”.
Estamos no mês da loucura, da inclusão, no mês em que foram aprovados Projetos de Lei focados na menopausa, endometriose e outros temas relacionados com a saúde das mulheres, no Parlamento Português. Chamaram-lhe “saúde sexual”, mas para mim, é saúde. Ponto final…
É para todas as “Helenas” deste país que sofrem de endometriose e que vivem num estado de inflamação tremendamente doloroso que não deixa o descanso acontecer. É para todas as “Anas” que têm a menstruação durante 15 dias por mês e a meio tem que ir levar sangue na veia, dada a perca dessa substância vital. É para todas as “Catarinas” que tiveram que tirar o útero cedo demais, estando sujeitas a menopausas muito precoces. Algumas não tendo filhos.
É verdade que não gostei nada das abstenções e vetos de muitas forças políticas, nomeadamente as com maior representatividade (queremos mais mulheres sentadas na AR!). Porque é precisamente com esta proteção, promoção da saúde e encaminhamento para uma vida plena que torna as mulheres “equiparáveis” ou “iguais” aos homens. É por aí que começa a igualdade (neste caso, a igualdade de género). Mas ainda há tanto caminho a percorrer!
Mas a loucura não ficou por aí, continuou (no governo), com os transportes públicos, em que equipararam os deficientes aos idosos (malta, já é um início!), em que temos direito aos descontos que os idosos já beneficiavam há muito, muito, mas muito tempo.
Outra coisa alucinada foi a inserção de mais (uma) localidades que não Lisboa e Porto, no que diz respeito aos benefícios (descontos, nesta caso) no uso de transportes públicos. Iuppyyyyy!!! Eu sei que é só uma, mas é o começo (quem está habituada ao “zero”, esta é uma vitória e tanto).
Espero sinceramente que estas decisões sejam implementadas e que vão evoluindo, porque delas está dependente essa “igualdade”.
É aí que nos vamos sentindo cada vez mais, pessoas “normais”, plenamente integradas no mundo
A força de uma sociedade é medida pelos mais fracos dessa mesma sociedade… E se os mais fracos possuem este género de ajudas, equiparada a cada deficiência, seremos todos fortes! e uma sociedade forte é uma sociedade próspera e feliz.
Basta olhar para as sociedades do Norte da Europa e o exemplo que elas praticam, para ver que estão a eõns de nós, em termos de inclusão.
Como a deficiência nos isola da normalidade, isola-nos, de certa forma, do mundo. Das vivências ditas “normais”. Dou um exemplo: O meu filho, tem, e verbaliza muitas vezes, a imensa pena de eu nunca ter experimentado o prazer que o desporto costuma provocar.
É como se só conseguíssemos ser espectadores desse mundo. O que eu pretendia com esta suposta “igualdade” era ser um interveniente activo dessas experiências. De algumas, como o exemplo acima, nunca as conseguirei alcançar.
De outras, ainda vou ser actor principal.

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