Rebeldia Consciente – associado a “Discursos de Ódio”
Hoje, em pleno dia de reflexão (devido às legislativas de 2024) quero ser um pouco rebelde, embora não diga neste post em que partido se deve votar (até porque ainda nem eu sei)...
Este Artigo, vem no seguimento do meu texto “Discursos de Ódio”, foi um seu trecho que decidi retirar desse artigo por se afastar do propósito do mesmo.
Em “Discursos de Ódio”, várias pessoas chamaram-me de comunista, como se isso fosse a pior coisa do mundo…
À pessoa que me disse que eu devia ir viver para a zona de guerra da Rússia, eu disse, no “Post que não queria ter escrito” que a entendia (a posição da Rússia), não disse que concordava com a guerra, e, dado que todos podem opinar sobre este assunto, eu não sou assim tão diferente para que não o possa fazer.
Também tenho a dizer que não pretendo sair de Portugal, onde, apesar da realidade camuflada de vivermos numa sociedade capitalista (a camuflagem é só devido aos ordenados míseros que se recebem por cá), não deixa de ser uma democracia, e que, mesmo que o nosso país tivesse o comunismo como maioria numas quaisquer eleições futuras (o que duvido muito, pois Portugal é um país de proprietários, tal como eu, e a “nossa” ligação à família jamais nos deixaria chegar a esse ponto), penso que a nossa sociedade não viveria sob um jugo comunista, mas sim democrático (devido às outras forças que participariam), e não tenho dúvidas que governariam com valores como a equidade. Eu defendo a equidade. Não defendo uma sociedade extremista. Nem de extrema esquerda, nem de extrema direita… sou demasiado central quanto a ideologias políticas - mais inclinada para a esquerda, devido a factos históricos.
Eu explico: O SNS e as políticas de favorecimento social (logo, a favor dos direitos das pessoas) existem principalmente devido a governos de esquerda. O António Arnaut criou o SNS, e é graças a esse sistema de saúde, criado nos anos 70, que ainda estou viva e pela qual a minha mãe viveu mais 9 anos depois do transplante. O Guterres, que, durante toda a sua vida esteve voltado para a resolução dos problemas sociais (e atenção que eu falei resolução - Desde a mais básica, que era dar o seu próprio tempo para ajudar estudantes em bairros de lata, onde se dirigia para dar explicações, passando por outros actos, no governo, com as suas políticas sociais, e depois, até chegar à ONU - em que foi e é um grande promotor prático dos direitos Humanos (não é à toa que é há tantos anos secretário Geral das Nações Unidas). Estes pertenceram a governos socialistas, e defenderam políticas sociais bastante boas.
Mostrem-me um governo de direita que tivesse tomado uma medida positiva com foco nos deficientes que eu ponho na balança e talvez comece a pensar de maneira diferente...
Já quanto aos governos de direita, tenho más experiências: Em 1983 (lembro-me perfeitamente da data, porque a minha irmã era bebé e já semi-caía, semi-andava), e a minha família alargada não foi passar o Natal com a minha família de base (o Natal era sempre em nossa casa, com os avós, os tios e os primos do Sul, e o Zé Maluco e a Milu. A sua vinda a nossa casa era o ponto alto das férias de Natal (a altura em que era a festança total, estarmos todos juntos, brincarmos de manhã à noite. Que saudades...). Eu, que tinha um quarto de brincadeiras só para mim, cheio de brinquedos (o que acho que, por si só, diria que jamais serei comunista), e recebi como prenda de Natal, uma gramática de Português. Fiquei em estado de choque. Os meus pais (mãe professora e pai técnico das finanças – ambas profissões que dependiam do estado - soube mais tarde que tinham praticamente deixado de receber ordenado), estavam super-entusiasmados, ambos a incentivarem a minha alegria por eu ter recebido o raio de uma gramática de Português… e eu ali, sem perceber o porquê daquela excitação toda (esperava qualquer outra coisa - legos, um peluche, uma cena qualquer para brincar, menos a porcaria de uma gramática!) eu tinha 6 anos, e como ninguém veio passar o Natal connosco, não tive mais prendas… foi um trauma para a vida. A verdade é que, com um quarto cheio de brinquedos, e calculo, com a necessidade de ter uma gramática, essa foi a melhor decisão.
A partir daí, e talvez porque os meus pais felizmente conseguiram suprimir todas as minhas necessidades, acredito que com algum esforço (Volta e meia ouvia-os a falar das medidas x e y do governo que os estavam a prejudicar), a época do Cavaquismo passou-me um pouco “ao lado”, mas os problemas com a direita continuaram com a idade adulta:
Entre 2013 e 2014, depois do meu pai morrer, a reforma da minha mãe diminuiu imenso, para ajudar, ela ficou a receber menos de metade do que devia receber da reforma do meu pai, com precisamente as mesmas contas para pagar. O meu pai tinha feito vários empréstimos para construir um Bem que iria promover uma região do interior que era a paixão do meu pai, mas ele não tinha concluído essa construção. Ou seja, as contas para pagar eram as mesmas e os rendimentos diminuídos para metade. E quem é que assumiu o pagamento do resto ?... nós, claro, com um "ordenadozeco" de engenheira deficiente (logo, bastante mal pago) e com um ordenado de um professor, o meu marido, ao qual já lhe tinham sido aplicados vários cortes, e com o governo de então, mais cortes, que nunca voltaram a ser repostos na totalidade. Nessa altura, esse governo colocou o meu marido numa escola bastante distante de onde vivíamos (foi outra medida que nos prejudicou imenso, porque as viagens eram longas e era mais um sacrifício a fazer) - ele acabou por recorrer dessa decisão, com a ajuda de um advogado, para voltar a ser colocado, ainda nesse ano lectivo, na zona da nossa residência . Pouco tempo depois fiquei desempregada (não voluntariamente) e fiquei com termo de identidade e residência pelo simples facto de ter ficado desempregada. Ou seja, tinha que me apresentar quinzenalmente à junta de Freguesia da minha residência para indicar que sim, que vivia na zona e que estava desempregada. Foi das coisas mais humilhantes e degradantes que tive que fazer, a par do que escrevi em “Governo, anota aí”. Estar na fila para provar que estava desempregada, não querendo estar nessa situação (o desemprego foi provocado pelas medidas então implementadas, que fizeram fechar imensas empresas devido à situação de crise que o país se encontrava). E portanto, o então Primeiro Ministro (Passos Coelho) tinha decidido que os desempregados tinham que ser tratados como culpados judicialmente de qualquer crime. Nem podíamos sair do País - aconteceu com uma grande amiga minha cujo namorado não vivia em Portugal. O resultado? Acabaram por terminar a relação.
Todas estas situações particulares promovidas por governos de direita. Não tiro as culpas aos governos de esquerda, que puderam ter levado as coisas a esse ponto, principalmente ao governo de Sócrates, que começou a deixar de promover o estado social. Já essas escolhas do governo de direita, no entanto, podiam ser facilmente menos invasivas para a dignidade das pessoas, com a simples medida de taxar devidamente os lucros dos bancos e dos restantes grandes sectores estratégicos, por exemplo.
Entretanto, depois de a minha irmã ter morrido devido à negligência do estado Português, jurei que nunca mais votava na pessoa que encabeçava esse governo, cujas decisões foram terríveis, tanto no que dizia respeito às vítimas, como ao território.
Desde essa altura que o meu voto foi baseado em propostas isoladas que me agradavam, que pertenciam a escolhas minoritárias e nada úteis. Este meu próximo voto, acredito que vá ser nulo. Ainda não encontrei nenhum partido que incluísse as minhas necessidades como acções a aplicar no próximo governo. Penso que votar devidamente num sistema que se encontra montado num estado que deveria ser de direito mas que está completamente torto, não vale a pena, pois dessa maneira, estou a validar este sistema. Assim, com um voto nulo, exponho a minha “rebeldia”. Não votar parece-me absurdo, porque se eu pretendo viver numa democracia, o voto é obrigatório. Votar em branco não me parece ser rebelde o suficiente. Nulo, é o ideal para mim.
O que é que eu mudaria? Primeiro, seria a Constituição Portuguesa, que, apesar de muito bem “montada”, não impede que os membros de governo estejam a governar um país sem qualquer experiência de vida laboral, mas sim com carreiras exclusivamente partidárias, nem obriga a que o partido que ganhe uma eleição tenha que cumprir o programa eleitoral à risca, sob pena de não poder mais governar, por exemplo, durante 2 mandatos. Também não contabilizam o voto nulo/em branco para evitar as maiorias absolutas, e muito menos impede pessoas de governar com questões pendentes na justiça, ou que já tenham sido condenadas. Depois, ainda na Constituição, a mesma devia mencionar os direitos adquiridos, como fez a França, com o aborto. E nesta legislatura houve um partido (de direita) que mencionou que ia rever essa lei. Quem não quiser abortar que não aborte, é muito simples. Porquê limitar os outros à sua vontade num direito que já foi adquirido e que já está montado? Eu sou, acima de tudo, a favor da liberdade de escolha, e, embora nunca fosse considerar abortar (a menos que fosse devido a alguma situação médica), não tenho absolutamente nada a ver com o que outros pretendam fazer ou não fazer. A verdade é que se cada um se metesse na sua vida, a sociedade seria muito mais justa.
A meu ver, os programas eleitorais deveriam ter descritos como tópicos as acções concretas (e não 300 páginas que duvido que sejam lidas na sua totalidade, algumas acções focam questões tão subjectivas que delas não se retira qualquer execução práctica). Cada acção com precedência devia ter o seu diagrama de Gantt associado, com as metas temporais (assim, os partidos que cumprissem na totalidade o programa eleitoral e cujas metas previstas no programa eleitoral passassem dos 4 anos , teriam de certeza estabilidade governativa para terminar essas metas/acções). E cada acção devia ter objectivos, metas concretas e contabilizáveis (não temporais, essas já tinham sido verificadas antes) e as devidas métricas de monitorização, que seriam imediatamente montados e levados para a prática quando esse partido entrasse no governo.
A Constituição Portuguesa também deveria definir “pastas” ou “ministérios” (Educação, Justiça, Agricultura e Pescas, Ambiente, Administração Interna e por aí), com um orçamento geral de x ordenados mínimos, ou outra métrica padrão, ou seja, se o governo quisesse ter mais ministérios, teria que governar com o mesmo orçamento. Os correspondentes nomes também não deveriam mudar (pelo menos um partido - de direita, já disse que o ia fazer, se ganhasse). Quando os nomes dos ministérios mudam, na verdade não muda nada que seja de foco principal, o que muda é um rol de coisas formais e burocráticas desnecessárias, que, para além de gastar tempo, dão sempre muito dinheiro às empresas dos “boys”, dinheiro esse que deveria ser alocado a coisas mais práticas e necessárias.
Uma coisa que também acho benéfico, seria mostrar previamente os ministros escolhidos de cada partido antes das eleições, porque se trata de um "voto cego". Por exemplo, se me dissessem que o Professor Manuel Antunes seria Ministro da Saúde, votaria no seu partido “no matter what”, porque aí está um fantástico gestor e um excelente executor, um verdadeiro líder que sei que levaria a saúde de Portugal a bom porto, embora seja uma pessoa de direita.
Já o Parlamento é um órgão soberano, uma instituição democrática que deve ser respeitada e não um circo, onde há gargalhadas, onde se batem palmas e se apupa, onde se ouvem jocosidades, onde se pintam unhas, se lê o jornal e se dorme uma sesta (juro que no dia em que, nas obras, as reuniões passarem a ser como se vê na AR, os orçamentos passam a derrapar para 100 ou 200 vezes mais). Nos tribunais existem esses actos? Não, e quem o fizer é expulso. O mesmo devia acontecer na Assembleia da Republica.
Em suma, acho que somos um país que está muito mal preparado para governar. Não é só o facto de estarmos num país em que não se governa bem, mas é o principio, a base, que está errada. Sem uma boa base, não se faz nada de jeito.
O meu conselho? Vão às urnas, votem em consciência, depois de conhecerem todos os programas eleitorais (podem não vos esclarecer, mas indicam de certeza o sentido que preferem seguir) e, se não decidirem o partido que vos faça mais sentido, façam perguntas, perguntem, por exemplo, nas redes sociais aos partidos políticos sobre os assuntos que vos interessam. Eles vão responder de certeza, porque é público, e pode significar má publicidade se não responderem. Se, ainda assim, não tiverem certezas, como eu, vão votar à mesma, nem que seja... em nada, como eu pretendo fazer. É muito triste ver o nº de abstenções chegar aos valores que chegam, parece que as pessoas deixaram de se importar.
Campanha eleitoral não deveria ser só fazer discursos ou dar beijinhos a pessoas aleatórias. Devia, acima de tudo, elucidar as pessoas. Não votem porque “toda a minha família vota x, portanto, também vou votar x”, gerações diferentes querem coisas diferentes. E não emprenhem pelos ouvidos, nem sejam apologistas do “diz que disse”. Não acedam à manipulação da comunicação social: Quando dizem que o José comparado com Sanches da Cunha (nomes acabados de inventar), “disse não sei o quê”, isso é desigual e tendencioso, dado os nomes apresentados. Isso é manipulação.
E não vos estou a dizer para votarem esquerda ou direita, atenção, mas, por favor, votem com o cérebro, porque o coração é um órgão demasiado volúvel.
Sabem porque é que governos ascendem e/ou permanecem no poder? Ou pelo seu engenho ou devido à estupidez do povo. Que não seja pelo 2º motivo (porque engenho, nenhum deles tem tido muito...).
[…] Aos que me chamaram comunista, escrevi este post à parte, de modo a não tornar este post demasiado extenso: “Rebeldia Demasiado Consciente – associado a “Discursos de Ódio”“. […]
I was born with a supposed heart murmur that completely masked my actual disability – I actually had a completely broken heart that continued to deteriorate until it had to be replaced by another one.
But that change didn’t make me a new person without problems: the broken heart made changes to my body, and in reality, what I needed was to have all my organs replaced and only keep my brain (this way I would still be myself, because grabbing all of this and throwing it away might be an option). But the doctors’ effort to keep me alive was impressive!
Do I deserve all of this? I thought about it many times. The conclusion I reached is… of course I do!
This blog is about the difficulties of living with a disability like this (heart failure, which extends to the whole body), and how this disability affects me and the world around me. And how the world we live in affects me, given this disability. I plan to write true stories – everyday stories, stories that I consider hilarious and stories that have touched me in some way.
There will be sad stories, but with a twist at the end. I will talk about what happened to me, how, and where. I will try to be true to my memory. I may also post thoughts. Since I am an activist, I cannot promise that these stories will be devoid of certain observations. Perhaps with this blog, I can help “wake up” someone, and, above all, help someone… Happy reading!
P.S. – The posts will be biweekly, but I may post more frequently. Subscribe!
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