Que me recorde, houve só uma altura na minha vida após o transplante em que estive bem, e não foi há muito tempo atrás: sentia-me óptima.
Como?
Não estava absolutamente nada inchada (coisa rara para quem tem problemas cardíacos, e que me dava a sensação de estar muito mais magra), transpirava nos sítios certos (tenho que me lembrar de fazer um post sobre isto), que cheirava normalmente, sentia-me com bastante energia (coisa rara), estava com uma pele e cabelo fantásticos (tenho o cabelo ondulado que fiza muito, e estava com ondas sedosas – estilo anúncio de televisão, e inclusive caiu-me um cabelo que tinha raiz preta e o resto estava branco (eu estou com o cabelo praticamente todo branco, e tal ocorrência não era normal). Eeee…. ah! era final de outono e eu ainda tinha os olhos verdes (os meus olhos mudam de cor dependendo se é primavera/outono, verão ou inverno, e no outono são normalmente amarelos), ou seja, estava bastante gira, e ainda por cima sentia-me fantástica.
Só que havia uma coisa que me incomodava. bastante…
Fazia cocó cerca de 2 a 3 vezes por dia.
Eu normalmente, só faço cocó de uma a duas vezes por semana. Quando faço dia sim–dia não já é uma festa e verifico que me sinto muito melhor, mas… todos os dias? Caramba! Eu nunca tinha feito cócó todos os dias na minha vida, quanto mais 2 a 3 vezes por dia!
Conclusão: o meu rabo não estava habituado a tanta *actividade*…
Já estava assada, custava-me fazer cocó porque cada vez que fazia, limpar-me – o acto de passar o papel higiénico doía imenso, e depois a próxima vez que ia fazer, ainda me doía da vez anterior e era do género “pescadinha de rabo na boca” – cada vez sentia mais dores. Já estava com o rabo em ferida de tanto limpar.
Ah, uma coisa importante, eu sou germofóbica . Quando estou em casa, lavo-me depois de fazer cocó, mas não o consigo fazer sem me limpar antes, porque tenho nojo (o meu marido criticava-me pois dizia que eu devia lavar de imediato, sem me limpar). Ou seja: em casa, agredia o rabo duas vezes: com o papel e com água e gel duche. A não existência de bidé é uma impossibilidade para mim (Boca para os arquitectos).
Ou seja: considero que passar tempo na casa de banho é a maior perca de tempo do mundo, porque é um tempo nada útil: Como sou germofóbica, recuso-me a levar livros ou o telemóvel para a casa de banho, então, sentia que estava a perder tempo de vida a … *cagar*… literalmente! Acho que sou intolerante ao mau cheiro. Então estar na casa de banho tanto tempo é um sofrimento terrível.
Conclusão: fui ao meu médico. Estava preocupada com a possibilidade de poderem diminuir os níveis de potássio, e de outros minerais, entre outros. (Eu já tinha estado internada por esse motivo, e levar potássio na veia é uma coisa bastante dolorosa – parece que nos estão a pôr vidros pequeninos na veia, e que os mesmos cortam tudo por onde passam). E, queria saber o porquê dessa mudança súbita nos hábitos relativamente ao nº 2
Sempre que vou ao médico, antes da consulta, são-me feitas análises ao sangue e à urina, para descartar qualquer coisa que esteja menos boa e que possa ser corrigida pelo médico (alterando a medicação).
O médico chama-me, e pergunta-me o que se passa. Eu digo-lhe:
Doutor, faço muitas vezes cocó.
Vi a sua cara de atordoado, e ele disse “mas ó Catarina, o que entra tem que sair”.
E eu disse “mas não entra assim tanto para o que sai!”
Impressão tua, diz ele”, enquanto olhava para as minhas análises.
Caramba, eu sabia do que estava a falar, tenho noção que as fezes são comida compactada, mas eu não comia tanto volume como a *merda* que saía de mim!
Alguma coisa estava errada. Mas aparentemente o que estava errada era a minha cabeça, pois o ideal é fazer-se cocó 3 vezes por dia, embora normalmente as pessoas normais só façam 2 vezes.
Atenção que eu tive esta conversa sobre *merda* com o meu médico.
Tive uma conversa de *merda* com o meu médico…
Só que não havia nada de errado: o médico disse-me que as minhas análises nunca tinham estado tão bem (depois fui verificar – bendito SNS que agora dá acesso online a todos os nossos exames – e era verdade, nem o colesterol estava elevado, os valores da tiroide estavam óptimos, todos os valores estavam dentro dos parâmetros que se encontravam na coluna anterior, e muito diferentes das últimas consultas.
Conclusão: o meu médico deu-me umas recomendações (as mesmas que o meu marido me tinha dado), mas não me mudou medicação nenhuma. (em lotaria premiada, não se mudam números – máxima do meu médico).
E também me disse que o cabelo branco raramente fica preto de novo.
Passado pouco tempo, tudo tinha passado. Passou o cocó 3 vezes por dia, passou a energia, entretanto os olhos não passaram pela fase do amarelo (cor dos meu olhos na primavera e no outono), saltaram logo para o castanho, quando ainda não era inverno, passou a “gireza” fabulosa, comecei a inchar novamente, e todos os cheliques do costume voltaram a entrar na minha vida.
Não sei muito bem o que fiz para retroceder desta maneira – Eu devia ser um caso de estudo.
Mas houve uma vez, uma vez, em que estive no meu melhor…
Só que passava a vida na casa de banho!

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