Eu sei que ando devagar.
Embora tanto o meu marido como o meu filho o façam em metade do tempo (ou talvez menos), quando estou em condições, ando 20 minutos de manhã e 30 minutos à tarde, a ir e a regressar do trabalho. Os 10 minutos a mais de diferença são reflexo do meu cansaço.
Tenho perfeita noção que o meu sistema muscular não está tão desenvolvido como o das pessoas ditas “normais”, devido aos constrangimentos cardíacos que me afetaram uma vida inteira e impediram o desenvolvimento muscular.
Também sei que estou constantemente a carregar com 20 kg a mais (Coisa que o meu médico faz questão de me lembrar sempre que tenho consulta)…
Mas daí a ser ultrapassada por uma mãe claramente recente (pela cara do bebé), que, para além de carregar com duas malas ao ombro e um carrinho com o bebé e mais sacos do continente em baixo do carrinho, ainda o fazia com uns saltos agulha, bem…
É que só aqueles sacos tinham uns 20 kg, no mínimo. mais os saltos, mais o empurrar do carrinho com o bebé… Tanto não, não é?
Foi nessa altura que comecei a medir a minha velocidade, a compará-la com a o dos seres que fazem o mesmo percurso que eu.
Sei que, apesar de me ultrapassar, consigo acompanhar mais ou menos o passo da senhora loura de cabelo curto que sai no metro comigo, mas só o faço até 1/4 do percurso. depois, perco-a para o infinito e mais além, provavelmente porque nessa fase do percurso, começo a ficar cansada, e a diminuir o passo.
Os 2 namorados brasileiros que passam o tempo todo a discutir, metem-me nervos… não só andam muito mais depressa que eu, como se sentam nos bancos, e quando já os ultrapassei (porque estavam sentados), levantam-se de repente e começam a andar, novamente demasiado rápido.
Sigo ligeiramente mais rápido que as 2 chinesas simpáticas que estão a conversar enquanto passeiam o seu pug. Já o pug, coitado, anda com tanta dificuldade que me dá pena (respira com farfalheira, e os seus movimentos são dificultados por ser demasiado gordinho).
Volta e meia, comparo-me com o pug. vejo-me nele, tanto como já fui, numa outa vida em que era magríssima e afogava-me nos meus próprios fluidos devido à hipertensão pulmonar severa e tinha que tomar viagra para a controlar. Ou então vejo o meu futuro como o dele, e desejo que esses dias nunca cheguem, porque o sofrimento de não se conseguir sequer respirar é tremendo.
Também me comparo com o indiano, quando dá pulos nas pausas dos exercícios de alta intensidade: ele dá pulos a andar por para aí uns 5 metros, e eu ando à mesma velocidade com que ele faz esses 5 m. Imensamente orgulhosa de poder ter um termo de comparação com um atleta…
Então, vi um pato no rio, que estava a claramente no seu ritmo normal, com outros patos atrás, e reparei que ritmo deles a “andar” é precisamente o mesmo que o meu.
É obvio que, considerando que os patos são cerca de 62 vezes mais leves que eu, em média, alguma coisa está errada. Comigo, não com os patos!
Já se fizer uma comparação com eles a nadar, nomeadamente quando caçam, aí, nem um barco a motor, quanto mais eu!
Mas é essa a minha velocidade! Ao ralenti da velocidade dos patos!
Pelo menos consigo andar. E estou muito feliz por isso.

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