Findas as férias, urge uma reflexão.
Dormir é o que me mantém viva. Literalmente. Ok, e os medicamentos também, mas por agora, foquemo-nos no sono:
Não é luxo, nem vício, nem preguiça — é protocolo de manutenção.
Sem sono, desfaço-me em bocados: um corpo cansado, um coração que bate mal, o que influencia os rins de imediato. O inchaço, as dores renais, os BPM alterados, as taquicardias e arritmias, acompanhadas pela recuperação forçada do órgão. Para além disso, fico ranzinza e de humor assassino, segundo o Ni. O meu marido confirma e associa mais adjetivos.
Nestas férias, dormi tudo o que o corpo pediu — e o corpo pediu muito.
O resto do tempo, inventei uma rotina meio absurda, influenciada pelo meu marido, que esteve a trabalhar, logo, sem possibilidade de ir à praia em horário laboral:
Manhãs, a dormir. Fui à praia cedo em muito poucas manhãs, porque o percurso faz-se a pé, e estava dependente de alguém que fosse comigo (não fosse eu desmaiar).
2 ovos e um iogurte com muesli ao acordar, o menu oficial do “estou a portar-me bem”…
Sesta de cerca de 1 hora, antes da praia.
Lanche de 1 peça de fruta, e um iogurte.
Praia a partir das 17.30-18h, sem multidões, sem pressa: a areia, para mim, é a transição entre a casa e o mar (a areia e eu temos uma relação complicada), Quanto ao mar, eu devia ter sido um peixe, nunca humana.
Banho às 21:00 e jantar depois, ou vice-versa, conforme o apetite.
Leitura e cama, por volta das 23:00.
Comi uma bola de Berlim uns 3 dias, mas como me deixavam enjoada, decidi deixá-las por uns tempos. Eu juro que, por respeito ao verão, forcei, mas quando não dá, não dá.
Houve dias de traição social, em que fomos jantar fora, aos “sítios do costume”, com amigos, ou família. Fluíram conversas, sobremesas e sangria, e nunca me contive: os habituais disfarces da vida. Nesses dias, o regresso era tardio, o que se reflectia na manhã seguinte.
Dados os horários de sol, e porque o meu médico está sempre a verificar os meus níveis de vitamina D, decidi não usar protector solar, depois de verificar que os índices UV eram baixos. Uma espécie de desculpa para o desleixo. O Ni e o meu marido, imitaram-me, contra a minha vontade. A excepção foram os dias em que fomos passar o dia todo às ilhas. Aí, o protector solar foi obrigatório.
14 dias neste regime.
Resultados:
O Ni têm alergias todos os anos, que eu associava ao sol. Ele disse (e eu também achei, embora não tenha revelado), que a alergia seria devido ao protector solar. Realmente, salvo as excepções assinaladas, ele nunca esteve exposto ao sol do maior calor este verão… ele pode continuar a ter, sim, alergia ao sol. foi só uma constatação, que pode ser facilmente desmontável… Já agora, não me imitem, por favor. o protector solar é fundamental para a protecção da pele contra o cancro. usem e abusem.
Sono máximo: dormi imenso, o que é uma coisa fantástica. tenho noção que muitas vezes não cumpro o meu horário de sono reparador, o que depois se reflete na minha saúde diária.
Emagreci 3 kg . Um almoço a menos por dia, a mim, faz-me emagrecer 3 kg em 14 dias, sem petiscos (não tinha uma despensa farta, como tenho onde vivo, logo não havia petiscos nocturnos, que é o que me acontece diariamente…). Se o emagrecimento fosse matemática demoraria uns 3 meses e meio a atingir o meu peso ideal, num cenário ideal e sem petiscos. O meu marido revelou-me que o emagrecimento nunca é constante, há “plateaus” e que eu deveria demorar 4 meses no mínimo para perder uns 10 kgs. Raios Partam quem inventou os “plateaus”, pá!
Se até a nossa natureza se cansa de tentar, como é que nós. meros mortais, conseguiremos?
Bronzeado mais duradouro, não durou umas poucas semanas, como seria normal, manteve-se no tempo, até ao ponto de insinuarem que eu usava solário, coisa que nunca usei na vida, não tivesse eu visto um filme de terror com um solário…
Conclusão:
Preciso de 4 meses de férias seguidas por ano, para conseguir atingir, a longo prazo (em 2 anos), o meu peso “ideal”. “Plateaus” incluídos. Para emagrecer, dormir, e talvez tentar equilibrar as contas com a vida. Depois desses dois anos, só precisarei de uns 2 meses por ano para manutenção.
E o risco já é máximo, porque não sei se a minha vida chega para confirmar a teoria. Mas morrerei descansada. E magra!
PS: peço desculpa pelo post tardio, mas esta vida de descanso obriga-me a adiar até a própria inspiração.

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