Abril deu-nos voz e nós calamo-nos

Hoje, “passei” por uma imagem de Salazar, a indicar que fazia falta e por um texto que me tocou…

Da foto, pronunciei-me, porque sou livre para o fazer. E essa minha manifestação foi censurada (aka, retirada). Já era espectável, vindo de alguém que promove a falta de Liberdade. Manifestei-me porque a ideia de passar por uma ditadura semelhante à que os nossos pais e avós passaram, repugna-me e assusta-me.

Quanto ao texto, li os meus Pais nele, que me ensinaram, desde tenra idade, todo o significado deste dia, e continuaram, durante todos anos das suas (curtas) vidas, a proclamar os direitos e deveres que 25 de Abril nos trouxe. Para o meu Pai, o 25 de Abril não era um dia, mas sim um dever de agir democraticamente, que exercia durante todo o ano.

O texto tocou-me, porque vejo-nos (a nós, Portugueses), num retrocesso total, com vivências banais, quase como sociopatas…

Vejo-nos a abusar do 25 de Abril:

A usá-lo como férias ou como propaganda política. A oprimi-lo com a “desculpa” de luto e a corrigi-lo no calendário. A vivê-lo com apatia e com hábitos que não são nossos.

Pelo meio, vejo mensagens de vaidade, numa luta desenfreada por pódios invisíveis de popularidade sem significado algum, mas que só existem porque houve, um dia, uma revolução em Portugal.

Esta revolução, ofereceu-nos os princípios base da Constituição Portuguesa, que é um texto maravilhoso (ainda que ligeiramente ultrapassado), mas que, infelizmente, não se faz cumprir…

Não quero que daqui a uns anos o que representa este dia deixe de existir, porque aí o luto vai ser vivido, mas será devido à morte da democracia.

25 de Abril foi uma revolução pela Liberdade e nós gastamo-la a olhar para os nossos umbigos. Deu-nos Democracia só para nós participarmos de 4 em 4 anos. Deu-nos Justiça, cega, mas também surda face às nossas necessidades. Deu-nos Direitos, que subvertemos. Deu-nos Dignidade, que está a ficar suspensa, à medida que outros actos, disfarçados de “direitos” avançam. Deu-nos Igualdade, que nunca chegou a bom porto, e que hoje mascaramos com outras necessidades. Deu-nos Paz, para comprarmos armamento de guerra. Deu-nos Trabalho digno para se trabalhar cada vez mais por cada vez menos, para trabalhar em prole da “evolução da economia”, que nunca vemos nos nossos salários. Finalmente, deu-nos Justiça Social, que se perde no labirinto burocrático da prova, e que existe só até ao momento em que implica gastar, adaptar ou ouvir.

Abril deu-nos voz, e nós calamo-nos.

Post Scriptum – O texto que mencionei no início:



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About Me

I’m not a complete crap…

But inside… oh boy!

 The chaos that goes on there!

 I was born with a supposed heart murmur that completely masked my actual disability – I actually had a completely broken heart that continued to deteriorate until it had to be replaced by another one.

But that change didn’t make me a new person without problems: the broken heart made changes to my body, and in reality, what I needed was to have all my organs replaced and only keep my brain (this way I would still be myself, because grabbing all of this and throwing it away might be an option). But the doctors’ effort to keep me alive was impressive!

Do I deserve all of this? I thought about it many times. The conclusion I reached is… of course I do!

This blog is about the difficulties of living with a disability like this (heart failure, which extends to the whole body), and how this disability affects me and the world around me. And how the world we live in affects me, given this disability. I plan to write true stories – everyday stories, stories that I consider hilarious and stories that have touched me in some way.

 There will be sad stories, but with a twist at the end. I will talk about what happened to me, how, and where. I will try to be true to my memory. I may also post thoughts. Since I am an activist, I cannot promise that these stories will be devoid of certain observations. Perhaps with this blog, I can help “wake up” someone, and, above all, help someone… Happy reading!

P.S. – The posts will be biweekly, but I may post more frequently. Subscribe!

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