II – Governo, anota aí: Dia Internacional das Pessoas com Deficiência

3 de Dezembro.

Tempo de leitura: 4 minutos.

Lancei este post no dia 4, mas a minha info-exclusão levou-me a publicá-lo numa nova pagina, que agora não consigo apagar…

Adiante ao artigo alusivo a 3 de Dezembro:

Parece que foi um dia normal, como todos os restantes… Aliás, foi um dia normal, como todos os outros, embora devesse ter sido diferente. Deveria ter sido um dia mencionado na comunicação social, pelo menos, e nem isso foi. Só o Presidente da Republica fez uma alusão a este dia no seu site.

A proclamação deste dia como Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, foi feita em 1992, pela resolução 47/3 da Assembleia Geral das Nações Unidas, com o objetivo de mobilizar apoio para questões críticas relacionadas com a inclusão de pessoas com deficiência, promover a sensibilização sobre questões de deficiência e chamar a atenção para os benefícios de uma sociedade inclusiva e acessível para todos… Isso foi feito?

Não…

É mais do mesmo, e expectável, vindo de uma sociedade ableísta como é a nossa.

O Dia Internacional das Pessoas com Deficiência deste ano foi focado na importância de reconhecer o papel de liderança que nós (os deficientes) desempenhamos, especialmente num mundo marcado por desafios globais urgentes.

A liderança das pessoas com deficiência é fundamental e é destacada pelo lema do movimento mundial pelos direitos das pessoas com deficiência: «Nada sobre nós sem nós». Esse princípio ressalta a importância da participação ativa, da representação justa e da inclusão das pessoas com deficiência nas decisões que afetam as suas vidas. Ele sublinha a necessidade de que pessoas como nós tenham voz ativa na definição das condições de vida e na formulação de políticas que impactam o nosso dia a dia.

Enfrentamos de forma desproporcionada as consequências das crises que afetam o planeta — desde conflitos e alterações climáticas até à pobreza e às desigualdades. Isto acontece devido às barreiras persistentes, à discriminação e ao estigma, que continuam a limitar os nossos direitos.

Apesar disso, frequentemente somos excluídos dos processos de decisão e das soluções para estas mesmas crises.

Com a adoção do Pacto para o Futuro, os países comprometeram-se a corrigir estas injustiças e a garantir que as pessoas com deficiência, de todas as idades, sejam plenamente incluídas nas decisões.

Este ano, o compromisso passa também por reconhecer o nosso contributo essencial na definição do futuro das tecnologias digitais e de assistência — incluindo aquelas baseadas em inteligência artificial, defendendo o nosso direito de participar ativamente nas decisões que moldam as nossas vidas, o que seguramente impulsionarão a transformação da sociedade.

A Cimeira Mundial para o Desenvolvimento Social do próximo ano será um marco importante para dar continuidade a estes compromissos e impulsionar ações concretas.

Nós, pessoas com deficiência, somos agentes de transformação, construtores de soluções diferentes, inclusivas e, ao sermos lideres das nossas próprias soluções de vida, estamos mais que aptos a ser lideres dessa implementação na sociedade em que vivemos.

O objectivo deste dia é continuar a trabalhar para construir um futuro mais inclusivo e sustentável, onde cada pessoa seja respeitada e tenha o seu lugar na sociedade, com a sua voz valorizada.

O problema destas coisas “meio utópicas” (vou ser chacinada, mas entendam que eu sou uma deficiente que vive no mundo real, onde as injustiças acontecem diariamente), é que esses objetivos não têm métrica, ou seja: Como se concretizam? Quais são as metas? Como se monitorizam as acções? Quem as fiscaliza?

A própria Convenção Sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, Adotada por Portugal a 13 de dezembro de 2006 (resolução A/RES/61/106) e aberta à assinatura em Nova Iorque a 30 de março de 2007, foi um copy past do documento americano, pois contém concepções que não são usadas em Portugal. Yep… logo aí começa a inclusão. Quando 16,5 % (dados do INE) da população Portuguesa tem uma incapacidade reconhecida, em pleno século de mudança, isto não é sustentável e é inadmissível.

Para se ter uma breve noção do que são 16,5%, faço uma comparação com outros grupos: segundo os censos de 2021 a população de crianças e adolescentes até aos 18 anos representou cerca de 18,3%​. Estes estudos não fazem cruzamento de informação, porque seguramente esses 16,5% contém crianças.

Que o próprio estado não nos dá os direitos essenciais (não são especiais, são básicos, embora “eles” queiram promover o “especial”), já estamos habituados, mas quando não nos dá reconhecimento de existência e copia um documento só para ser “Politicamente correto”, aí já é marketing, É um género de “greenwashing”, mas para a deficiência. Estas práticas criam uma falsa imagem de compromisso e desviam a atenção de problemas reais, como, por exemplo, a exclusão do mercado de trabalho e a insuficiência de apoio a longo prazo.

Não podemos permitir que exista comunicação que cria a falsa impressão de que o nosso país é justo que é inclusivo quando, na realidade, as ações efetivas para a nossa inclusão são mínimas.

A verdadeira inclusão requer investimentos consistentes, fiscalização rigorosa e diálogo constante com as pessoas com deficiência. coisa que não existe por cá…

Vamos mudar isto?

É hora de agir. Participe de iniciativas de sensibilização, apoie projetos liderados por pessoas com deficiência e pressione por políticas públicas que tragam mudanças reais.

Vamos transformar o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência de um momento simbólico para uma oportunidade de ação contínua. Compartilhe este post, participe de discussões e ajude a garantir que a inclusão seja uma realidade, não uma promessa vazia.

E que nem Orçamentos de Estado nem Portugueses presidentes na Presidência do Conselho Europeu retirem a visibilidade dos deficientes, muito pelo contrário, que se foquem em nós!



Deixe um comentário

About Me

I’m not a complete crap…

But inside… oh boy!

 The chaos that goes on there!

 I was born with a supposed heart murmur that completely masked my actual disability – I actually had a completely broken heart that continued to deteriorate until it had to be replaced by another one.

But that change didn’t make me a new person without problems: the broken heart made changes to my body, and in reality, what I needed was to have all my organs replaced and only keep my brain (this way I would still be myself, because grabbing all of this and throwing it away might be an option). But the doctors’ effort to keep me alive was impressive!

Do I deserve all of this? I thought about it many times. The conclusion I reached is… of course I do!

This blog is about the difficulties of living with a disability like this (heart failure, which extends to the whole body), and how this disability affects me and the world around me. And how the world we live in affects me, given this disability. I plan to write true stories – everyday stories, stories that I consider hilarious and stories that have touched me in some way.

 There will be sad stories, but with a twist at the end. I will talk about what happened to me, how, and where. I will try to be true to my memory. I may also post thoughts. Since I am an activist, I cannot promise that these stories will be devoid of certain observations. Perhaps with this blog, I can help “wake up” someone, and, above all, help someone… Happy reading!

P.S. – The posts will be biweekly, but I may post more frequently. Subscribe!

.

Newsletter