Escolhas

Esta malta dá-me motivos para escrever…

A imagem que coloco aqui saiu num artigo do jornal “The Economist” depois “DAQUELE” debate da vergonha entre Biden e Trump. Entretanto já muita tinta rolou, mas deparei-me com esta imagem já depois do atentado a Trump.

E irritei-me. E por isso, escrevo.

Porque dizerem que alguém que usa ou devia usar este aparelho não tem condições de governar, para mim, é o equivalente a dizer que ninguém com alguma deficiência (de qualquer espécie) poderá governar.

Não tenho intensão nenhuma de governar nenhum país, mas se me dissessem na semana passada que não o podia fazer por ser deficiente, aí é que eu ia querer (sim, eu sou este género de pessoa)… Se me perguntassem esta semana, o caso mudava de figura, porque recebi o resultado do MAPA – um exame de 24 horas que estuda as variações de tensões (pressão sanguínea) de um indivíduo, e os resultados vieram preocupantes.

Independentemente de achar que o Senhor que esta imagem sugere já se devia ter resignado e nunca se devia querer recandidatar, julgo que as pessoas devem fazer uma introspecção verdadeira acerca das reais capacidades que têm e a possibilidade de se fazer um determinado trabalho da melhor maneira que conseguem, preferencialmente de modo a cumprir os seus objectivos, sem ligar ao poder.

Com “as pessoas”, obviamente, pretendo dizer “os outros”, porque já me pediram para eu deixar de trabalhar em obras de saneamento porque me estavam a matar e não o fiz, e claramente fiz trabalhos que muitas vezes não conseguia fazer (já escrevi este artigo, agora só tenho que o encontrar e publicar)…

Sei que este artigo diz respeito ao idadismo, o que acaba por ser outro género de preconceito. Mas não li, nem na Constituição Norte Americana nem na Portuguesa, nada que impeça qualquer pessoa de concorrer a qualquer destas presidências, nomeadamente no que diz respeito à questão de se ser mais idoso ou de se possuir uma deficiência. O que não invalida o facto de considerar que devia haver condições base a cumprir). Os únicos requisitos são ser maior de 38 anos e ser natural do país correspondente. Nos USA, também tem a obrigação de aí ter vivido durante uns anos sem interrupções, e em Portugal, deve haver uma lista de x assinaturas para apresentar a candidatura. Não menciona idade máxima, deficiência, questões de saúde, orientação sexual, orientação religiosa, orientação futebolística… nada.

Tenho pena, que apareçam noticias destas “por aí”.

Então, decidi fazer algo que já tinha pensado fazer mas não tinha enquadramento. E, melhor enquadramento que este não há!

Meus queridos leitores, vamos fazer um jogo bastante engraçado, que dirá qual a vossa escolha para um presidente, com base nas suas características, características essas que vou colocar aqui.

É claro que houve omissões de algumas características para uns, em detrimento de outros, à semelhança do que acontece na vida real.

O jogo original é diferente, é na perspectiva da eventual morte de muitos deles.

Vou colocar nessa perspectiva (até para não ter problemas com direitos de autor), mas depois podem também fazer a escolha de qual votariam para presidente do Vosso País.

Eis o jogo:

Houve uma catástrofe nuclear, e o futuro da humanidade está em jogo.

Existe um abrigo subterrâneo que pode abrigar somente seis pessoas para além de si, e cabe a si escolher quem irá ficar no bunker.

Faça sua escolha e decida, das abaixo apresentadas, seis pessoas, tendo em consideração a sua diversidade de habilidades, a sua personalidade e o potencial para contribuir para a reconstrução da “nova” sociedade:

1. Jovem aristocrata, homossexual dono de uma escola para rapazes.

2. Negro, pastor, teólogo, revolucionário e pacifista condenado por causar desordem pública.

3. Artesão desempregado, amigo de ladrões, condenado á morte.

4. Músico filho de uma mulher com sífilis, surdo, temperamental.

5. Homem, que fora uma criança difícil que não falou ate os três anos de idade, disléxico, reprovou na escola primária (ensino básico), anarquista perseguido pelo FBI.

6. homem tímido, pouco popular na escola, desobedeceu ao seu pai e abandonou a Universidade no 2º ano na área das matemáticas para estabelecer a sua empresa baseada numa invenção revolucionária.

7. Estudioso, portador de múltiplas deficiências, causadas por uma doença rara, degenerativa, paralisante e sem cura.

8. Estudioso, não fuma e nem bebe, solteiro, grande organizador e gestor, autor de um famoso livro autobiográfico.

9. Filho adoptivo da aristocracia, grande administrador, admirador de música e teatro, construiu grandes obras enquanto governava, sendo também músico e poeta.

10. Muito tímido na adolescência fez voluntariado e foi soldado. Casado e pai de família, é filho de aristocratas. Teve uma educação esmerada. Engenheiro com experiência em engenharia civil, é um empresário bem-sucedido.

11. Prostituta perseguida e condenada à morte pela justiça.

12. Filho de imigrantes, foi acólito quando criança, atleta, estudou até ao 3º ano de medicina, tendo mudado, concluindo a sua formação em direito. Foi condenado a 15 anos de prisão, tendo sido amnistiado.

13. Órfã de pai, tímida, fez voto de castidade e tinha problemas cardíacos.

14. Órfã criada em um orfanato, foi adotada varias vezes, até se casar aos 16 anos. Dedicada às artes e viciada em drogas.

15. Viciado em cocaína, especialista em Psicologia, fumava cachimbo e adorava relações sexuais.

16. O pai recusou-se a reconhecer sua paternidade, ainda jovem foi acusado de atentado ao pudor. Era volúvel e inconstante. Como artista, deixou muitas obras inacabadas.

Anotem os números (só precisam de escrever os números) que escolheram salvar, e, no final, lembrem-se de escolher um deles para presidente do vosso país.

No post seguinte, que colocarei on-line durante a próxima semana, escrevo o resultado das vossas escolhas.

Divirtam-se!



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About Me

I’m not a complete crap…

But inside… oh boy!

 The chaos that goes on there!

 I was born with a supposed heart murmur that completely masked my actual disability – I actually had a completely broken heart that continued to deteriorate until it had to be replaced by another one.

But that change didn’t make me a new person without problems: the broken heart made changes to my body, and in reality, what I needed was to have all my organs replaced and only keep my brain (this way I would still be myself, because grabbing all of this and throwing it away might be an option). But the doctors’ effort to keep me alive was impressive!

Do I deserve all of this? I thought about it many times. The conclusion I reached is… of course I do!

This blog is about the difficulties of living with a disability like this (heart failure, which extends to the whole body), and how this disability affects me and the world around me. And how the world we live in affects me, given this disability. I plan to write true stories – everyday stories, stories that I consider hilarious and stories that have touched me in some way.

 There will be sad stories, but with a twist at the end. I will talk about what happened to me, how, and where. I will try to be true to my memory. I may also post thoughts. Since I am an activist, I cannot promise that these stories will be devoid of certain observations. Perhaps with this blog, I can help “wake up” someone, and, above all, help someone… Happy reading!

P.S. – The posts will be biweekly, but I may post more frequently. Subscribe!

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