O Post que não queria escrever

Já pensei muito em se deveria escrever ou não este post, porque a certo ponto começo a pensar que estou a exagerar, a ser catastrofista, mas a verdade é que estou assustada. Muito assustada.

Com a situação mundial.

Política.

Económica.

Social.

Ambiental.

O ser humano é aquele que reconhece padrões em tudo, mas que depois tem tendência a repetir os erros.

Eu não percebo nada de política, muito menos de economia, e a valência social interessa-me, mas somente pelo foco deste blog.

Não queria escrever este post porque não queria expor a minha extrema ignorância quanto às matérias que mencionei no parágrafo anterior, mas não consigo não o fazer. Mesmo sendo ignorante nestes aspectos, sou uma pessoa minimamente atenta e desconfiada. No sentido que não acredito em tudo o que me põem à frente. Tento sempre informar-me e ter um pensamento crítico (gosto de estudar o panorama, e não me deixo levar pelo que os outros me querem fazer acreditar).

Desde a guerra na Ucrânia que senti que nos estavam a fazer uma lavagem cerebral. E eu odeio sentir-me assim. Isolada e sem poder ter uma opinião diferente e livre, sem ser olhada de lado. Calhou, inclusive, eu estar a tomar café com o meu marido num sítio público, e começámos a falar desta situação, e ele, perante a minha diversidade de argumentos face ao que nos estavam a impingir, pediu-me para eu falar mais baixo, porque nos estavam a ouvir.

Atenção que eu não estou a defender a guerra, muito menos a Rússia, pretendo só defender-me a mim, se possível (sim, egoísmo acima de tudo).

Se não, vejam bem, e agora vou dar uma aula básica mas preciosa de relações humanas 101:

Quando um irmão propõe aos pais ter um determinado brinquedo, mas os pais não dão, e praticam uma política de não ajuda e de isolamento relativamente a esse irmão, e vão depois ameaçar que vão dar esse mesmo brinquedo à irmã. O que é que o envolvido faz? Faz uma guerra, pois claro!

E se cada irmão tem o seu parque, e o brinquedo anterior cai num parque e estraga o parque todo (ficando lá, mas inacessível), e a irmã continua com o seu parque, o que é o que o irmão faz quando as condições se propiciam favoráveis? Invade o parque da irmã!

Guerras nunca fazem nem nunca fizeram sentido, tal como os exemplos que acabei de dar não fazem muito sentido numa sociedade que se considera madura e inteligente, mas a verdade é todos nós que temos irmãos estivemos, mais que uma vez, envolvidos com bulhas por causa de brinquedos.

E esta analogia não está muito longe da verdade: o que acabei de escrever sobre as guerrilhas entre irmãos nada é mais do que a história da Rússia vs Ucrânia, nomeadamente sobre a tentativa de aproximação da Rússia à NATO, que, depois de uma recusa e abandono, é ameaçada de que a NATO vai para a Ucrânia. E atenção, que a NATO destruiu e desmembrou a Jugoslávia (sem o aval da ONU), com principal interesse na criação e independência do Kosovo e na criação da maior base dos EUA na Europa. Ou seja: atacou ainda mais e mais intensivamente do que a Rússia está a atacar a Ucrânia.

A verdade é que esta guerra foi orquestrada pelos EUA há imenso tempo, para poder fragilizar a Rússia e manter-se como a principal potencia económica mundial. Basta dizer que quem controla os EUA é a indústria de armamento, que fornece armas para todo o mundo para criar conflitos de modo a que a sua economia prevaleça. Ou seja: A Europa tornou-se num “criado” dos EUA, ao qual obedece.

E eu sou de um país que pertence à União Europeia, que está situada no continente Europeu. Sei que temos que ter relações diplomáticas com os restantes países, mas não de subserviência, que é o que se está a verificar.

Relações entre países não são mais que relações humanas.

Mas a nossa Comunicação Social, a par com a de outros países, fez-nos a tal “brainwash” a favor dos Estados Unido da América: Isolou de imediato a Rússia, e esqueceu-se do abandono que o mundo lhe fez. E pior! Esqueceu-se completamente da nossa história Europeia, e das Guerras Mundiais.

E os que governam têm obrigação de saber a história. A nossa história. E a história mundial.

E Sanções enormes foram oneradas sobre a Rússia. E pergunto, como é que começou a 2ª guerra mundial? Muito resumidamente, pelo volume enorme de sanções que foram aplicados à Alemanha devido aos danos provocados na 1ª Guerra Mundial (De notar que quando a 1ª Grande Guerra iniciou, os governos ocidentais eram praticamente todos de extrema direita – explico o porquê de inserir este à parte mais à frente). Que, com a pressão do que aconteceu a seguir, uma resseção tremenda, levou a um aumento exponencial da inflacção e colocou por terra qualquer hipótese de pagamento dessas sanções. É claro que com muitas coisas pelo meio, demasiadas coisas pelo meio. Mas… o que estamos a ver hoje em dia? Yep! Um aumento massivo da inflacção.

As causas podem ter sido diferentes, mas as consequências caminham a passos largos para o mesmo lado.

Estamos a fomentar uma guerra económica com uma potência bélica mundial, que, para além de já estar em guerra, está a fazer aliados igualmente fortes.

Arriscamo-nos ou a que rebente outra Grande Guerra que nos vai afectar a todos, ou a que a Rússia diga: “ok, nós agora vamos ficar quietinhos, aqui nas nossas terras, mas retiramos todo o nosso apoio dos países onde temos forças militares!

E aí entram os extremistas árabes na Europa (com armas fornecidas pelos EUA, com o intuito primordial de agirem contra a Rússia), porque todos nós sabemos que não é o exército Turco, ou de toda a zona dos Balcãs (entre muitos outros aliados da Rússia), que os impede de entrar na Europa, mas sim o exército Russo. E é nessa altura que as cabeças vão rolar.

Conclusão: como quem sofre é sempre o mexilhão, para quem vai sobrar?

Para as minorias, que, como não são expressivas, podem bem ser mortas, para não dar mais gastos, ou pior: relembro que os campos de concentração nazis não eram exclusivos dos judeus, mas sim de outras minorias (deficientes, pretos, homossexuais, ciganos, e população de outras nações que não correspondia aos preceitos da “raça ariana”)!

Não sei se estou a parecer doidinha, mas a verdade é que tenho reparado que estes últimos anos, estarmos a assistir historicamente a um aumento de partidos de extrema direita no poder (relembro o que aconteceu no início da 1ª Guerra Mundial), o que calculo que tenha levado a vivermos um aumento do associativismo e luta pelos direitos humanos das minorias (Black Power, LGBTQIA+++, Refugiados, etc.), que pretende aumentar a consciência para essas realidades, com o foco de transformar o preconceito em inclusão, focando a aproximação aos direitos humanos fundamentais, mudando regulamentos legais, se possível, e bem!… mas as leis fazem-se de acordo com os tempos em que vivemos, e podem bem ser rectificadas de acordo com o que convém a cada nação e a cada época. E agora o foco é grande nos direitos humanos porquê? Será que se prevê que muito em breve esses mesmos direitos nos sejam retirados?

Não me estou a ver segura numa Europa esquecida, governada maioritariamente com partidos extremistas (e, desculpem-me os envolvidos, mas governos extremistas têm muita tendência a se tornarem-se governos totalitaristas), que forçam a uma rebelião ou um isolamento de uma grande potência político-militar, cujas consequências (de uma ou de outra) são devastadoras para as nações, logo, para as minorias que as contém.

E não estão a tentar esconder-nos nada! O foco no armamento, a diminuição dos parâmetros standards nos recrutamentos para as forças armadas e exércitos e o facto de estarem de portas abertas para uma massiva entrada de imigrantes, é para quê? Vão dizer que é para a sustentabilidade da segurança social? Não será antes “carne para canhão”?

Digam-me e expliquem-me, por favor, que não é isto que está a acontecer.

Recordo que se tem vindo a inserir, lentamente, práticas não legítimas em vários países. Dou 2 exemplos que me ficaram na memória (o último massacra-me o sono):

Retiraram recentemente os Numerus Clausos de entrada da comunidade negra numa universidade Norte Americana (medida essa que não tarda nada vai ser seguida por outras universidades).

Não muito longe, já aqui ao lado, no Reino Unido um conselheiro do governo quis lançar uma medida que implicava matar os bebés deficientes, para que o governo não tivesse tantos gastos económicos – essa medida não passou, mas esse conselheiro também não foi destituído…  

Estas últimas notícias do conflito Israel – Palestina – Hamas, e a imediata aproximação dos EUA, foram o mote para eu finalmente escrever este post, que não queria ter escrito.

Vamos ouvir mais John Lennon!

P.S.: não falo da situação ambiental porque sou especialista, mas vou aproveitar este post para vos pedir para  fazerem este exercício:

Estamos prestes a atingir o ponto de não retorno relativamente às alterações climáticas. O que será que um eventual conflito mundial nuclear, a adicionar ao panorama ambiental e de sustentabilidade (ou falta dela) irá fazer?



Uma resposta a “O Post que não queria escrever”

  1. […] de ver (e apagar) todos os comentários e e-mails ao “ O post que não queria ter escrito”. Confesso que, para além da tremenda surpresa pelo post ter sido visto muitas vezes – foi o […]

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About Me

I’m not a complete crap…

But inside… oh boy!

 The chaos that goes on there!

 I was born with a supposed heart murmur that completely masked my actual disability – I actually had a completely broken heart that continued to deteriorate until it had to be replaced by another one.

But that change didn’t make me a new person without problems: the broken heart made changes to my body, and in reality, what I needed was to have all my organs replaced and only keep my brain (this way I would still be myself, because grabbing all of this and throwing it away might be an option). But the doctors’ effort to keep me alive was impressive!

Do I deserve all of this? I thought about it many times. The conclusion I reached is… of course I do!

This blog is about the difficulties of living with a disability like this (heart failure, which extends to the whole body), and how this disability affects me and the world around me. And how the world we live in affects me, given this disability. I plan to write true stories – everyday stories, stories that I consider hilarious and stories that have touched me in some way.

 There will be sad stories, but with a twist at the end. I will talk about what happened to me, how, and where. I will try to be true to my memory. I may also post thoughts. Since I am an activist, I cannot promise that these stories will be devoid of certain observations. Perhaps with this blog, I can help “wake up” someone, and, above all, help someone… Happy reading!

P.S. – The posts will be biweekly, but I may post more frequently. Subscribe!

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