Resiliência é uma permanência constante numa situação difícil, e ainda assim, enfrentá-la e superá-la de maneira a que se possa encarar essa situação constantemente. É claro que esse estado tem tendência a ser banalizado por nós próprios, quando se passa demasiado tempo nesse registo. Chega mesmo a ser negligenciado por nós. É mau?
Não, é fantástico, esquecermo-nos que somos Deficientes.
Já os recursos para o ultrapassar, vão-se transformando com o tempo. Ou mediante as circunstâncias.
Actualmente, a minha maneira de lidar com circunstâncias más é o humor. Tenho uma especialização em sarcasmo (ainda que, segundo os psicólogos, essa acaba por ser uma reacção ao trauma). Mas que se lixe o trauma. O que eu quero é rir e fazer os outros rir!
Mas já passei por situações tão más que era impossível rir, situações bastante difíceis. Já me senti muitas vezes impotente, Muitas, com razão, outras, felizmente poucas, sem razão aparentemente nenhuma.
Já me senti cair e chegar ao fundo.
Cheguei a pensar se algum dia iria tornar a ser feliz, mas o tempo e a nossa própria mudança, o nosso próprio crescimento, transformam tudo.
Porque o tempo não ajuda a passar dor alguma, o tempo dá azo a que possamos crescer à volta da dor, ou partindo da mesma como suporte. E não há melhor crescimento que esse.
Vejo-o em mim e no meu sobrinho, que perdeu a mãe tragicamente quando tinha 7 anos.
Não sou uma pessoa de chorar muito. Sempre pensei demasiado nas coisas e racionalizava demasiado, em vez de chorar.
Pouco chorei quando os meus pais morreram, senti mais um vazio tremendo e fiquei atordoada com isso…
Quando a minha irmã morreu, estava demasiado preocupada com o meu sobrinho para chorar pela minha dor.
Então, chorei, quando fui ao dentista.
Chorei quando a minha mãe estava a ir para o transplante, e estava, literalmente, a morrer.
Chorei no meu 1º banho depois de ter acordado do coma.
Quando o meu sobrinho passou uma noite no Hospital de Faro por ter caído de um banco e batido com a cabeça no chão, estávamos nós de férias. Chorei, ao sair do hospital.
Aqui há dias, chorei a ver dois filmes – um em casa e outro no cinema (coisa que nunca acontece – eu gozo com amigas minhas por elas chorarem baba e ranho nos filmes)…
Estes “choros” que falo aqui são choros compulsivos, em que fico ofegante, com uma extrema dificuldade em respirar e com dores no corpo todo. É um acto de total descontrolo, não são só lágrimas que me saem do corpo, mas também raiva, dor, superação, tristeza…
Os Posts em que irei falar da minha vulnerabilidade, terão esta palavra no seu título, associada à situação em questão. Serão posts em que a minha vulnerabilidade me ajudou a extravasar tudo de mau que tinha em mim. Ok, não tudo, porque o mal ainda habita cá dentro, mas muita coisa…

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