O Diagnóstico da minha mãe foi feito pelo Professor Doutor. Fernando Padoa, que acompanhava a evolução da doença. Ela estava à volta dos seus 20 anos.
Entretanto a minha mãe formou-se, e continuava com as consultas regulares no Hospital de Santa Marta, para ser atendida por ele.
A minha mãe contava muitas vezes uma conversa que teve com ele:
“Ó professorita, tu tens terrenos? Tens uma horta?
Face à resposta afirmativa da minha mãe (que na altura estava a dar aulas longe da sua terra natal, mas sim, tinha uma horta, e ia lá todos os finais de semana),
– Então semeia couves, e feijão e batatas, e faz uma sopa com tudo. Não comas carne, que te faz mal.
E a minha mãe acatou a sua ordem, desde então.
Sempre a vi comer sopa. A sopa era a sua principal refeição. Evitava sempre a carne. Claro que nas alturas em que era para comer carne, ela comia, mas a sopa era sempre a sua primazia. Sopa e maçãs. Quando já só restavam umas 3 maçãs, refilava: dizia “já não há nada para se comer nesta casa!”.
O meu sobrinho (brevemente meu filho), também é assim: adora maçãs, e quando acabam, fica maldisposto.
Voltando atrás, então, nós, comíamos sopa e depois o conduto, mas a minha mãe ficava-se muitas vezes só pela sopa.
Mesmo depois de termos ido viver para Coimbra, e quando tratar da horta já não era uma opção, era a minha avó paterna que tratava disso – tínhamos sempre legumes frescos da época, prontos para fazer a sopa.
Uma vez, como viu a sua condição a deteriorar-se, e já sabendo de antemão que ela morava numa zona rural com rios e ribeiras, disse-lhe que devia andar em água fria corrente, porque a água fria servia de vasoconstrictor e ela iria melhorar, desinchando naturalmente. Apesar de tomar medicação que fazia isso, o método natural era sempre mais eficaz e ela cumpria sempre o indicado:
Acordava cedíssimo, para ter tempo de ir à ribeira andar na água gelada, e quando chegava do trabalho, fazia o mesmo. Isso deve ter de alguma maneira feito regredir o progresso da sua doença, porque ela foi transplantada um ano antes de eu ter feito a mesma intervenção, apesar de ter tido problemas bem mais graves do que eu.
E é esta a história do diagnóstico da minha mãe. Foi simples. Ajudou imenso ter um médico que conseguiu fazer-lhe o diagnóstico correcto logo à primeira.
Já o meu diagnóstico foi bem mais complicado.

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