A detecção da minha deficiência tem tantas subtilezas como coisas óbvias:
Desde que comecei a ter problemas, aos 21 anos, nenhum médico se tinha preocupado em saber os meus antecedentes familiares.
Foi um médico, que, depois de falar com a minha mãe, na sua 1ª visita aos cuidados intensivos (No post “As televisões”, esta visita tem uma explicação detalhada), a seguir a ter tido a minha 1ª paragem cardíaca, que decidiu pegar em mim, e que me “virou do avesso”. Era o Dr. Nuno Bonito.
Ele pedia ao médico X para me fazer aquele exame, porque ele era o melhor nesse exame. Quando era outro que o fazia, ele marcava novamente o mesmo exame, com esse médico, e ia comigo para garantir que era esse médico que o fazia. Aconteceu 2 vezes. E não eram exames fáceis.
Depois pedia para eu ter consulta com o médico Y, e como a lei de Murphy é a explicação resumida da minha vida, o Dr. Y viu-me e disse-me: não, tu não tens nada miocardiopatia restritiva. Então, o Dr. Nuno Bonito, imprimiu o exame do médico X, mesmo estando o exame no meu processo, e marcou consulta novamente para o médico Y. (Esta história aconteceu num hospital público, logo, com os tempos de espera associados).
Quando me sentei à sua frente e ele me perguntou o que eu fazia ali novamente, eu mostrei-lhe o exame. Nunca me irei esquecer da sua cara. Leu o exame, ficou parado, quieto, durante muito tempo a olhar para o exame. A um certo ponto, era claro que ele já não estava a ler, pois se eu já o tinha lido, e o exame estava ao contrário… Depois inspirou imenso (eu nunca tinha ouvido uma inspiração tão grande) e expirou também imenso, mas não com tanta força como tinha inspirado (as respirações fascinavam-me…). Foi depois desse tempo interminável de uma respiração que olhou novamente para mim, e a sua postura tinha mudado completamente. Foi aí que eu percebi que a coisa era mesmo séria.
Entretanto, já em casa, eu sabia que ter mocardiopatia restritiva era horrível, a minha mãe tinha essa deficiência, e eu sabia que não era coisa boa ter “isso”. Mal sabia eu que sempre a tinha tido.
Não contente com o pouco que sabia (A net não especificava o facto de ser restritiva), liguei À Dra. Regina, uma médica muito amiga dos meus pais, a contar desta minha última consulta. Perguntei-lhe o que era ter miocardiopatia restritiva e ela não me disse, mas apareceu pouco depois em casa dos meus pais.
E mostrou-me:
Abriu e fechou a mão ritmicamente, durante umas 4 ou 6 vezes, a simular os batimentos cardíacos, e disse: isto é um coração normal.
E depois colocou a mão mais ou menos esticada, e começou a tremer os dedos. E disse: este é o teu coração.
BAC
E foi esse Dr. Y que me levou à Dra. Fátima Franco. Não sem antes me desejar boa sorte.
A história continua… em outros posts.

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