Alguns dos exames mais difíceis que fiz foram pedidos pelos melhores médicos.
Irei neste post colocar alguns desses exames. E irei colocar insights, necessidades para melhorar o tratamento ao paciente, ou para que ele não piore.
- Ecografia trans-exofágica (acho que é assim que se escreve) – não é mais que uma semi-endoscopia com a ponta de um ecógrafo que tem que chegar ao coração e vê-lo de diferentes planos. Temos que estar acordados e que ir rodando na maca para que o médico possa ver o coração melhor. Provoca vómitos constantes e sentimos a “coisa” a rodar e a mexer dentro do peito, com dor quando nos mexemos. é um género de endoscopia (que também fiz, e sem anestesia), mas que demora mais e tem-se muito mais dor.
- Respirar dentro de uma caixa de vácuo – (sim, toda eu dentro de uma caixa completamente fechada e vedada). Era horrível quando o vácuo acionava e eu inspirava e não entrava absolutamente nada. Na cabeça de uma pessoa, passa tudo – e se há um shut down ou uma falha de luz e o gerador não acciona e a porta não abre, e eu morro aqui? É uma maneira de morrer horrível, que quase a senti. F
- Devia ser dada informação ao paciente do que o espera num exame destes – foi dos exames mais difíceis que fiz e que mais me mexeu com a parte psicológica, e que me fez pensar no eventual fim do mundo, e sobre a rapidez dos pensamentos negativos. Hoje, sei que não é preciso o fim do mundo para que isto aconteça – Quando o meu sobrinho for maior, se ele quiser saber como a mãe dele morreu, irei postar aqui o que foi um milhão de vezes pior que morrer sem haver oxigénio.
Mas adiante:
- Broncoscopia- fiz este exame quando tive uma pneumonia em Itália, e estive mais de uma semana à espera de um tubo do hospital pediátrico, porque o tubo normal não entrava. Com esse tubo, custou, mas não custou tanto como o mesmo exame que fiz em Coimbra, nos HUC.
Eu ainda lhes falei do tubo, mas não fui ouvida, e custou horrores – esse tubo vai do nariz até aos pulmões, e temos que estar acordados para que eles saibam quando nos estamos a sentir mal. Eles devem inserir um líquido, porque sentia-me a afogar. Nesse exame, quando eu estava a sair, um senhor que estava a entrar perguntou-me se o exame custava muito. Eu disse-lhe que não. Pensei que quando ele saísse eu já estaria na enfermaria. Mas demoraram-se a vir-me buscar e eu apanhei o senhor a sair, que me deu um raspanete “daqueles”: “então a menina disse-me que não custava nada, e foi horrível! E enfiaram-me um tubo pelo nariz abaixo! A tive que respirar líquido!” . Eu ainda estava a recuperar do exame, e tive que me enervar com o senhor a ralhar comigo.- Devia haver informação sobre o nível de dor que se espera de cada exame, e essa informação devia ser passada aos pacientes que os fazem (em vez disso, temos que assinar um documento a indicar que autorizamos o Hospital a fazer aquele exame). Não devia ser uma pessoa que ainda não está bem que devia informar o próximo.
- Biópsia pulmonar – é horrendo, porque nos retiram bocados de pulmão e depois o pulmão sangra e quando respiramos quase nos afogamos em sangue. Quando fiz esse exame (de urgência), já estava nas últimas, e chorei. Já não sei se chorei logo, se devido ao que vou contar a seguir: Enquanto eu chorava, perdia a capacidade respiratória, tossia sangue, e quando inspirava, era sangue que entrava no sistema, fazendo-me tossir mais, e com a tosse vinha mais sangue… parece uma morte lenta por afogamento em sangue. no próprio sangue. Chorava de medo, de me aperceber que estava nas últimas (e estava mesmo) e de dor. Pensei que fosse morrer, mas recusei-me a fazê-lo sem ter ajuda – Estava no corredor da imagiologia, e já não se encontrava ninguém no local. Estava a aguardar que me viessem buscar para a enfermaria. Então, tive que me controlar para não chorar .
- Outra necessidade hospitalar: antes do paciente sair de observação já deve estar alguém para o recolher.
- Biópsia cardíaca com cateterismo, quando o coração que se tem criou nervo – normalmente, quando há um transplante de coração, o coração fica “anervoso”, que significa que fica sem ligações nervosas, logo, sem capacidade para sentir dor. Eu sou uma pessoa tão espectacular, mas tão espectacular, que criei nervo a partir do nada (foi depois da minha irmã morrer que comecei a sentir dores intensas no coração – que pensava serem ataques de pânico). Eu já tinha feito dezenas de biópsias sem dor alguma. A partir do momento que fiz a biópsia tendo o coração com nervo, o medo apodera-se de mim quando vou fazer o exame. Parece um choque vindo de uma subestação elétrica. O exame consiste em retirar bocados de coração com um género de “boca de crocodilo” (uma pinça com “dentes” na ponta de um tubo), que se enfia na virilha até ir ao coração. Hoje, enquanto as biópsias são feitas na virilha, o cateterismo (que é feito ao mesmo tempo que a biópsia) é feito no punho.
- Houve uma altura em que ambos os exames eram feitos na virilha. A Na minha percepção, doía muito menos, porque eu não consigo viver sem a mão direita – comer, escrever, pegar nas coisas, segurarmo-nos quando temos uma perna dorida… e custa horrores limpar o rabo.
- Prova de esforço – quando a nossa fragilidade é de tal ordem que não se consegue tomar banho sem desmaiar, nem dormir deitada, nem estar de pé, nem ter força para se fazer cocó, porque é que se tem que fazer uma prova de esforço? E porque nos dizem: “aguente só mais um bocadinho”
- Aqui a culpa era exclusivamente minha. eu achava que tinha mais força do que a que realmente possuía. Se, eventualmente, eu tivesse dito à minha médica que não conseguia, ela ter-me-ia ouvido.
- Mamografia – Tenho noção que é um exame que deve ser feito amiúde. mas quando tinha borbulhas em vez de mamocas (por ser extremamente magra), custava horrores quando me puxavam as mamas (que eu não tinha), para se poder fazer o exame. Hoje, que tenho umas mamocas jeitosas (tudo graças à cortisona), eles espalmam-nas entre duas chapas. é terrível
- Será que com s novas tecnologias, não seria possível colocarem-nos numa máquina de ressonância magnética, ou fazer uma TAC às mamocas e ter o mesmo resultado? É o meu sonho, deixar de vez as mamografias.
- Colonoscopia sem anestesia – pelo óbvio.
- Devia ser proibido e deviam passar multas pesadas a quem faz esse exame sem o paciente estar a dormir ferrado.

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