Começo o meu blogue no olho do furacão.
O que quer dizer que este ano é o melhor ano para falar do que este blogue trata:
Viver com uma incapacidade num mundo de pessoas que deveriam ser capazes.
Qual o valor de um deficiente?
Um deficiente é um gasto desmesurado, tanto para o estado (consultas, exames, intervenções cirúrgicas, isenções de pagamentos, retoma de IRS, eventuais subvenções, comparticipações, medicação, etc.), como para a própria família onde o deficiente se insere (medicação, equipamentos, adaptação de habitação/carro, etc.). Não compensa, ser-se deficiente, nem para o estado, nem para nenhuma família. Jamais ganharei o dinheiro que fiz gastar (e que continuarei a gastar até morrer) ao SNS, pelo que os meus impostos nunca pagarão a “minha conta”.
A nível familiar, os “sustos” que dei e que continuo a dar não são pêra doce de aguentar, levando a níveis de ansiedade alarmantes para toda a família. O custo da medicação é ultra inflacionada face aos meus rendimentos e a minha deficiência é assustadora – no sentido de que julgo que os sustos que dou não compensam os bons momentos que fomento, e, mesmo fazendo piadas para desvalorizar esses sustos, a maneira como os vivo não é nada compensatório face às gargalhadas que arranco.
Já se perguntarem aos meus amigos e família se conseguiriam viver sem mim, conseguiam, claro, mas com muito menos diversão. Não é à toa que dizem que se eu não existisse tinha que ser inventada…
E depois, penso na minha mãe (uma deficiente igual a mim), e no quanto a vivência dela me fez aprender, foi com ela que conheci a sua maneira inusitada de apreciar todos os momentos, inclusive os maus, e no quanto ela estimulou tanta gente que conheceu.
Ela costumava dizer que os momentos maus que passamos são uma possibilidade de aprendizagem, e o humor com que levava “a coisa” prá frente era hilariante.
Felizmente tive a sorte de ter uns pais fantásticos, neste sentido de aproveitar a vida ao máximo e de extrair dela tudo de bom o que tem para nos dar, e de ser muito parecida com eles.
Esse é outro dos motivos pelo qual escrevo este blogue, porque de certeza que há por aí pessoas como eu, e que gostaria de conhecer ou, melhor: pessoas que poderei ajudar.
Competências? Tenho muitas. E este ano (Europeu das Competências) vai ser todo meu.

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